Agricultura familiar pernambucana é eficiente na produção da uva


A uva é a principal fruta brasileira em faturamento pela exportação, atingindo U$ 169,2 milhões, de acordo com dados da Embrapa. Em 2008, o Brasil exportou mais de 82 mil toneladas da fruta.

 

O Submédio do Vale do São Francisco foi responsável por 99,1% de todas as exportações, assim como por 99,4% de todo o faturamento nacional com a exportação de uvas. Em Pernambuco e na Bahia, a área plantada com videira é de mais de 11 mil hectares, o que representa 12,4% da área total cultivada no país.

 

Agricultura de Pernambuco é eminentemente familiar, são 275 mil estabelecimentos rurais em uma área de 2.5 milhões de hectares, além de muito diversificada. O estado possui agricultura de sequeiro, com o milho e o feijão; a caprinocultura ocupa 1/3 do rebanho de todo o Brasil, com cerca de dois milhões de cabeças; e a bovinocultura de leite também é referência, com produção de 1,5 milhão de litros de leite por dia. No litoral se destaca a pesca artesanal, e no sertão do Arari a predominância é a piscicultura.

 

A fruticultura está presente não só na zona da mata, mas também, com irrigação, no sertão de São Francisco. Todos esses elementos contribuíram para a agricultura de Pernambuco crescer 5% no PIB de 2015, tornando-se o único segmento econômico que apresentou resultados positivos do estado, de acordo com a Secretaria de Agricultura e Extensão Rural (Sara).
Famílias na produção de frutas

 

Ainda segundo dados da Sara, a região do sertão de São Francisco possui 90% de produção da uva e manga exportada para o Brasil e, desses, 80% é do pequeno produtor e da agricultura familiar. É o caso da Associação Comunitária dos Agricultores de Malhada Real, que está localizada no município de Lagoa Grande-PE, e foi a primeira do estado a possuir a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) variável – grupo de agricultores com renda familiar anual de até R$ 360 mil, com acesso à créditos maiores.

 

A associação é composta p2 famílias e tem como principal produção a uva, seguida da manga e da goiaba. No início, em 2006, as famílias tinham 5 hectares para o cultivo da uva, e hoje, com tamanho crescimento o espaço se expandiu para 40 hectares, além de mais 26 hectares para o plantio de manga e goiaba. As frutas abastecem o estado e são vendidas em Fortaleza e no Recife.

 

O presidente da Associação, Francisco Ferreira Lopes, de 37 anos, que lidou com o paradigma de que as frutas faziam parte de grandes empresas, diz que mostrar que o agricultor é capaz é motivo de muito orgulho. “Era muita desconfiança, diziam que a produção de uva era para grandes empresas e conseguimos quebrar essas barreiras mostrando para todos que o pequeno produtor, trabalhando de forma organizada, tem condições de produzir a fruta”, afirma Francisco.

 

Todos os agricultores possuem DAP e já tiveram acesso a créditos do Pronaf. Recentemente cada família adquiriu R$ 60 mil para investir na produção.
Trabalho no campo
A Sara executa políticas públicas integrada a outros órgãos para fortalecer a agricultura familiar de Pernambuco. A titulação de terras é uma das ações mais importantes. Foram entregues mais de 10 mil títulos em menos de dois anos, e todos registrados em cartórios, possibilitando uma maior sustentação para o agricultor, tanto para créditos maiores no Pronaf, quanto na segurança judicial da propriedade.

 

O Água Para Todos é um importante programa que dá a condição para mais de 30 mil pernambucanos terem água na zona rural. Foram feitos mais de 900 poços artesianos para o consumo humano e para a produção. No mesmo período, foram feitas também cerca de 80 barragens de médio porte para melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares.

 

Nilton Mota, secretário da Sara, ressalta a importância de políticas públicas para o desenvolvimento do pequeno agricultor. “Projetos voltados para a integração da consciência e capacitação da assistência técnica trazem números positivos para o estado”, garante Nilton.

 

As operações do Pronaf em Pernambuco giram em torno de R$ 270 milhões, envolvendo 54 mil operações, através do Banco do Nordeste e do Banco do Brasil.

 

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário